Poucos brasileiros sabem planejar suas carreiras, diz especialista

Profissionais são convidados a tomarem para si a responsabilidade do desenvolvimento de suas carreiras, durante 14ª Jornada Empresarial AAPSA. O autoconhecimento é um instrumento para isso

Professor Joel Dutra coordenador do PROGEP (ao microfone), durante evento da AAPSA

Planejar o futuro profissional e pensar o rumo que se deseja para a carreira não é uma prática comum para a maioria dos brasileiros. Pesquisa realizada pelo professor Joel Dutra, coordenador do Programa de Estudos em Gestão de Pessoas (PROGEP), entre profissionais de nível superior, confirma que menos de 2% deles possuem um projeto profissional consciente. "No Brasil, os profissionais não se apropriaram do desen- volvimento de suas carreiras, como ocorreu nos EUA e na Europa. Eles esperam que a organização ofereça chances", explica o professor.

Pautado por este estudo, o professor Dutra proferiu aos participantes da 14ª Jornada Empresarial, promovida pela Associação dos Administradores de Pessoal (AAPSA), em parceria com a FIA, a palestra "O papel da pessoa na gestão de carreira". A falta de planejamento profissional é uma questão, segundo Dutra, arraigada na cultura do país. O jovem ainda na faculdade não possui a clareza do que pretende e não é orientado a planejar individualmente o seu futuro. "É fundamental que a juventude seja orientada pela família, amigos e pela própria universidade", diz o professor.

Outra ação para mudar a situação atual, segundo o professor, deve partir dos gestores de recursos humanos das organizações. "Eles devem provocar em cada funcionário a responsabilidade pela evolução de suas próprias carreiras. Não acredito que esse processo de conscientização deva acontecer no Brasil de forma espontânea. As organizações devem tomar essa iniciativa", analisa ele.

Segundo Oscar Boronat, palestrante do evento e professor do MBA-USP Executivo Internacional, o executivo bem-sucedido não pode ser planejado na organização. "Ele mesmo deve se planejar, olhar para trás e para frente, buscando sua medida de equilíbrio entre as componentes: profissional, familiar, social e de desenvolvimento pessoal", declarou.

Dutra explica que a maior parte dos profissionais analisa o que as empresas e o mercado podem oferecer e, a partir disso, orienta sua vida profissional. "Raramente analisam quais são os seus pontos fortes, o que gostam de fazer, para, a partir daí, identificar as oportunidades para a construção da trajetória profissional", pondera o professor.

Desenvolvimento

Em pesquisa realizada com gerentes, o professor constatou que a maioria dos profissionais coloca como limite de desenvolvimento da carreira a estrutura da organização. "Toda ambiência profissional tem limites. Na medida em que esses limites forem obstáculos para o desenvolvimento, é necessário buscar outras oportunidades, até mesmo mudar de carreira."

Outro fator que pode ser uma barreira para o planejamento da vida profissional é o uso da trajetória de outra pessoa como modelo de desenvolvimento. "As pesquisas mostram que a maior parte dos profissionais usa modelos. Esta é uma atitude perigosa, pois o passado já está estruturado e o futuro é algo a ser construído", alerta o professor.

Professora Tania Casado coordenadora do
programa de Orientação para Carreira

A professora Tânia Casado, coordenadora do Programa de Orientação para Carreira (POC) da FEA/USP e também palestrante da 14ª Jornada Empresarial AAPSA, alerta que o autoconhecimento e a auto-reflexão são elementos essenciais para o planejamento individual da carreira. Utilizando conceitos de Carl Jung, Tânia analisa os confrontos de personalidade vividos pelo indivíduo nas organizações. Segundo ela, é comum o profissional adotar uma postura na organização, que não condiz com sua personalidade. "Às vezes agarramos um tipo e tomamos como sendo o nosso e levamos a vida trabalhando em pseudotipos, o que dificulta o sucesso profissional", explica.

Há carreiras destinadas para os indivíduos extrovertidos e outras para os introvertidos. "Todos nós temos a intro e a extroversão, mas uma delas sempre é mais desenvolvida." Para o planejamento individual da carreira, o profissional deve pensar nas demandas da função que desempenhará, em função da sua personalidade, alerta a professora.

Coordenada por Dutra e por Maria de Lourdes Nogueira, Diretora de Relações com a Comunidade AAPSA, a Jornada Empresarial contemplou, também, as experiências acadêmicas do professor André Fisher, e as de mercado, com as apresentações dos executivos Vicky Bloch, diretora-executiva da Drake Beam Morin do Brasil, Olga Stankevicius Colpo, Sócia-diretora da PricewaterhouseCoopers, e Ozires Silva, diretor-presidente da VARIG.

 



Informações: (11) 3814-7966 ou progep@fia.fea.usp.br